Nossa Vida em Cristo

VISÃO A SER COMPARTILHADA









I - Introdução
   
Meu desejo é compartilhar a todos os membros deste novo ministério esta visão tal qual o Espírito de Deus tem feito brotar em nosso meio de modo espontâneo. Desejo também que o mesmo sirva para conferirmos sempre nosso estilo de vida como comunidade cristã a fim de permanecer na visão original, a nós dada pelo Senhor e experimentada na prática, principalmente, nestes últimos sete anos (2000 - 2007).
No amor do Pai, 

Pr. Sérgio Marcos

1.    A VIDA É CRISTO
Cristianismo é Cristo. Isso não constitui novidade,  mas, na prática, muitos cristãos têm falhado em mantê-lo em seu lugar de direito. Líderes humanos facilmente acabam usurpando o lugar do Senhor ditando normas, formulando regras, estabelecendo novos limites e práticas, permitindo certas práticas condenadas nas Escrituras, condenando o que Deus permite,  formando "um outro evangelho".

 Manter Jesus no centro, ouvindo-O, permitindo que somente Ele conduza Sua igreja é a única maneira de preservar-se a visão original e manter-se o fluxo de vida espiritual na comunidade. A falha de muitos está no fato de substituírem o tempo de oração para ouvir a voz de Cristo, por decisões humanas, baseadas em opiniões pessoais ou manifestações democráticas sem o Espírito. 

Cientes disso, deixemos o Senhor Jesus, e Ele só, no centro de nossas atenções e o fundamento de nossas decisões.  Que nenhum homem, vivo ou morto, mesmo um grupo de conselheiros, por mais sábios que sejam, venham a dividir com Jesus a supremacia que lhe é devida.  Jesus conquistou esta posição através da cruz e da gloriosa ressurreição. Hoje Ele é o cabeça da Igreja.

Se Jesus não estiver no centro, orientando e decidindo os rumos da igreja, então Ele não estará nela.
    (l Co 1:22 a 24 - Ef 1:10, 22 e 23 - Cl 1:18)

2.    A BÍBLIA É O EIXO
A Palavra de Deus é centro da vida da comunidade cristã. Nenhuma outra prática pode substituir a pregação. A Igreja louva, ora, comunga, serve, evangeliza, faz missões, porém, se todas estas atividades não forem equalizadas pela Palavra de Deus, a igreja sofrerá desequilíbrios, tornar-se-á vulnerável e sofrerá danos.

Homens de Deus , que levam a sério o estudo da Palavra de Deus, serão nossa necessidade constante. Nesses tempos difíceis precisamos manter a pregação bíblica no lugar onde o próprio Deus a colocou (ll Reis 22:8), dando ouvidos a advertência paulina: Prega a Palavra  (ll Tm 4:2).

No evangelismo, no discipulado, na direção dos grupos familiares, no preparo de obreiros, missionários e líderes, no aconselhamento ou mesmo no louvor, o estudo criterioso e sistemático da Bíblia deverá ocupar a primazia.

O ensino da Palavra de Deus, como eixo central de toda vida da igreja, será nossa segurança de equilíbrio e constante vivificação. Bíblia é como bola de futebol: sem ela nada acontece.
    (Mt 4:4 - Rm 10:8 - ll Tm 3:16-17)

3.    O LOUVOR É ESPIRITUAL E BELO
Louvor é arte. Não pode deixar de sê-lo. Deve-se  faze-lo bem feito. Podemos e devemos aperfeiçoar, ao máximo , nossa música, sabendo que o Senhor dos talentos sabe quando atingimos o limite de nossa capacidade.

Mas... nem só de beleza compõe-se o verdadeiro louvor. Se não for ungido, não trará Deus à reunião e não levará ninguém ao Trono para adoração. Música por música, há bons espetáculos por aí. A igreja é local de adoração e não de exibição. Que outros façam seus shows. Somos adoradores e não "astros da música".

Louvor belo e ungido é o que devemos produzir sob a suficiência de Deus.
(Sl 33:3 - Sl 150)

4.    A IGREJA É UMA GRANDE FAMÍLIA
O Cristianismo é uma religião impossível de ser praticada de modo isolado, pois, na sua essência, é corporativa. Não existe um "Kit" evangélico para a prática no lar ou no escritório sem um envolvimento comunitário. Há  no entanto, muitos que tentam uma vida solitária com Deus. Cristãos da TV, que têm como pastores e congregação os que aparecem semanalmente na telinha, chegando a aconselhar-se por telefone ou por carta e dizimar para suas organizações. Nada mais absurdo!

Ser cristão é fazer parte da Família de Deus, é ser lavoura de Deus, corpo de Cristo, expressões estas que evidenciam a natureza corporativa a que estamos filiados. Toda ênfase aqui jamais será exagerada. "Koinonias", almoços, jantares, acampamentos, esportes e lazer são necessidades constantes para que o povo de Deus esteja sempre unido, uma peça única e sem rachaduras.

Relacionamento é a alma da igreja e seu cultivo, o dever de todo ministro. Apesar de alguns manterem-se distantes, as práticas ditas acima exercerão uma força centrípeta que levará os sinceros para uma vida mais intensa com Deus e com Seu povo.
Comunhão nunca é demais. (Sl 133:1 - At 2:44-47 - l Co 12:12-31)

5.    A EXPERIÊNCIA SE UNE A CRIATIVIDADE
Inovar é bom e necessário. Mas inovar por inovar é infantil e pode produzir excessos e muitos males. O passado nos fornece experiência. Não somos, como muitos ultimamente têm dito, "a igreja do século vinte e um". Somos "a Igreja", nada mais. Nossas origens estão a dois mil anos atrás. Temos uma história de lutas e vitórias, de gente que morreu por pregar, que testemunhou até a morte. Gente que escreveu, compôs hinos, deixou rastros indeléveis ao longo dos anos, legando-nos tesouros preciosos. Temos tradição que não pode ser esquecida nem ignorada. É fato que uma comunidade presa à tradição fica perdida em nosso século, mas uma igreja divorciada da tradição fica confundida nos dias atuais, diluída no contexto em que vive. Manter o equilíbrio entre tradição e inovação unindo a experiência a criatividade é nosso grande desafio. Somente este equilíbrio nos livrará da febre da contextualização dos nosso dias, como também do conservadorismo litúrgico estéril. Tendo Cristo no centro de nossas atenções, a Palavra como eixo central, um louvor sempre belo e ungido e uma comunhão forte no Senhor, o discernimento fluirá , fazendo-nos como o escriba versado no Reino de Deus que sabe tirar do seu depósito coisas velhas e coisas novas (Mt 13:51-52).

No contexto atual, precisamos de muita criatividade para alcançar nossa geração, mantendo o que temos de melhor em nossas tradições.

6.    A EVANGELIZAÇÃO É FEITA COM AUTORIDADE
Evangelização não é uma atividade como o canto, a oração ou a comunhão. Evangelização não é apenas o resultado de um programa engenhosamente elaborado. Muitas atividades evangelísticas obtém  ótimos resultados através de estratégias previamente provadas e laboriosamente confeccionadas. Mas evangelizar, para o cristão, é mais do que isso. É viver! É ir ao trabalho, à praça, à escola, à praia, a qualquer lugar! É fazer do ambiente em que vive sua paróquia, pregando através de palavras e modo de vida.

Jesus usou o método "encarcionista". Primeiro viveu, depois pregou. O Verbo se fez carne, habitou entre nós, e vimos Sua glória. Por isso cremos que não apenas em Seus ensinos, mas em Sua vida! Este é o método de Deus. É certo que se trata de algo bem mais elevado, um alto padrão a ser atingido. Mas é o padrão de Deus. Ele quer que cada cristão deixe de reclamar da vida e seja um otimista do Reino de Deus, que pare de brigar, que seja um irrepreensível e sincero filho de Deus num ambiente cercado de gente perversa e sem vergonha, fazendo com que seu caráter cristão seja como uma luz referencial, brilhando nas densas trevas deste presente século (Fl 2:14-15).

Evangelizar é, antes de mais nada, encarnar o evangelho. É demonstrar e pregar (Es 7:10 - Mt 7:24-27 - Tg 1:22)

7.    A RELIGIOSIDADE NÃO TEM LUGAR
Religiosidade é tudo aquilo que é adotado como prática necessária para aquisição de benefícios divinos sem qualquer respaldo nas escrituras. Na maioria das vezes relaciona-se às peças de vestuário, posturas para oração, fórmulas litúrgicas, etc... É o lado mecânico da religião. Tudo aquilo que se faz sem saber o porquê . Coisas duramente condenadas por Jesus.

A igreja deveria fazer, ao longo dos anos, uma avaliação imparcial, desapaixonada de si mesma, procurando detectar todo espectro de religiosidade, todo vírus infeccioso da hipocrisia que, se não neutralizado, ou melhor, destruído, poderá necrosar muitas áreas da vida da comunidade, inibindo o fluir do Espírito da Vida entre o Povo de Deus.

O homem tem fortes tendências a valorizar o que ele pode ver e tocar. Deus, todavia, não procede assim. O homem impressiona-se com o rótulo; Deus, no entanto, com o conteúdo e sua essência.
Portanto, abaixo a religiosidade.
(Mt 15:8-9 - Is 1:11-20 - Jr 7:4-11 - Cl 2:16-23)

8.    A VISÃO É MISSIONÁRIA
A igreja local é a principal agência missionária. Entenda-se por igreja uma comunidade local com bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos e casais. Uma micro sociedade que vive entre os homens do mundo, e se entende como Povo de Deus. Desta maneira crescem, expandem seus limites através de grupos familiares que se tornarão pontos de pregação, depois congregações e finalmente,  novas comunidades. Nossa visão é missionária mas direcionada prioritariamente para o crescimento da igreja e depois para a evangelização do mundo! O desejo de evangelizar o mundo pode ser danoso sem a visão de crescimento da igreja.

A igreja deve ocupar-se na formação de liderança, na expansão de grupos familiares, no surgimento de novas comunidades e então partir para o preparo, envio e sustento de missionários sempre sob a orientação de Deus. Podemos utilizar a intermediação de agências missionárias para-eclesiásticas desde que contribuam com a visão missionária do MINISTÉRIO EVANGÉLICO VIDA EM CRISTO.
Evangelização e missões acontece quando a igreja  cresce.
(Is 54:2-3 - At 2:47 - Cl 2:19 - l Pd 2:5)

9.    A ESPONTANEIDADE SE EXPRESSA COM TEMOR

A ausência de religiosidade produz, como conseqüência natural, algo que se constitui em fator decisivo para saúde emocional da igreja: espontaneidade. Vale salientar, no entanto, que a espontaneidade deve ser regada com temor a Deus. Praticar esportes, participar de almoços, rir e brincar juntos é saúde emocional e mental, mas, em faltando temor a Deus, é preocupante. O temor a Deus é que nos faz escolher roupas decentes, brincar sem ofender, praticar esportes sem brigar, cumprir tarefas sem espírito competitivo, etc...

O temor a Deus é que nos faz respeitar nossos líderes espirituais, cumprir compromissos com pontualidade, cuidar com amor da limpeza das dependências da igreja, auxiliar os outros com voluntariedade, fazer missões. O temor a Deus, portanto, nos tornará ajustados, equilibrados e amadurecidos.

O temor a Deus é o respaldo da verdadeira espontaneidade.

10. A LIDERANÇA E O GOVERNO DA IGREJA SE BASEIAM NO RESPEITO
Deus está no trono. É autoridade máxima, suprema. Sua autoridade é absoluta, inquestionável. Ele delega parte desta autoridade e institui líderes humanos que terão outros sob si, que por sua vez terão seus liderados; todos sob a autoridade do Senhor. No entanto, a autoridade delegada não é absoluta: é relativa.

Os líderes levantados por Deus devem conhecer o que Deus espera deles: "que cuidem bem do rebanho que Deus lhes deu e façam isso de boa vontade, como Deus quer, e não de má vontade. Não façam o seu trabalho para ganhar dinheiro, mas com o verdadeiro desejo de servir. Não procurem dominar os que foram entregues aos cuidados de vocês, mas sejam um exemplo para o rebanho." (1 Pedro 5:2,3 BLH).

Líderes levantados por Deus não exercem "o poder" mas fluem na "genuína autoridade espiritual"  baseada no serviço humilde à casa de Deus, o Corpo de Cristo, a Igreja, como dizem as Escrituras: "Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem..." (2 Timóteo 2:24,25).

Por outro lado cada membro deve respeitar a posição de liderança dos que estão incumbidos por Deus de cuidar do rebanho. "Obedeçam aos seus líderes e sigam as suas ordens, pois eles cuidam sempre das necessidades espirituais de vocês porque sabem que vão prestar contas disso a Deus. Se vocês obedecerem, eles farão o trabalho com alegria; mas, se vocês não obedecerem, eles trabalharão com tristeza, e isso não ajudará vocês em nada" (Hebreus 13:17 BLH).

Quem lidera deve ser exemplo. Quem é liderado deve respeitar seu líder. Porém, o espírito que permeia a vida em Cristo se resume em: " Façam aos outros o que querem que eles façam a vocês; pois isso é o que querem dizer a Lei de Moisés e os ensinamentos dos Profetas" (Mateus 7:12).
Agindo assim manteremos a consciência de que estamos todos debaixo do trono de Deus. Cada um de nós em seu devido lugar. Nossa fé crescente, a visão una, a igreja coesa e o Reino em expansão.

PALAVRAS FINAIS
Eis aqui, resumidamente expostos, dez aspectos daquilo que entendemos ser a visão a nós confiada pelo Senhor. É apenas uma tentativa de dar forma ao que temos como vida em nossa igreja; algo que flui, algo que o Senhor fez brotar em nosso meio e que entendemos deva ser preservado.
nosso desejo É que este texto venha tornar-se elemento unificador do pensamento no Ministério Evangélico Vida em Cristo, principalmente entre seus líderes. Que venha servir de base para avaliações ao longo dos anos, e torne-se uma eficaz ferramenta nas mãos do sábio e destro Escritor, Arquiteto e Edificador da Igreja.

Vale alertar que uma vez tido como um documento com os objetivos acima, não seja tomado como um produto acabado e  seja, assim divinizado com o passar dos anos. Que homens de Deus, que amam a Deus o MEVEC, labutem no sentido de colocar no papel o que o Senhor vier a acrescentar com o passar do tempo e, assim, o trabalho aqui levado a efeito, seja finalmente concluído.
É o desejo que trago no peito.


Conselho MEVEC
Santa Rita do Passa Quatro, 7 de Março de 2007

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