Trabalho, renda complementar e "bico": uma reflexão.

     
Martín sai de casa às 6h00 e chega às 7h40 no trabalho. Gosta do que faz. Cumpre suas 40 horas semanais, tendo o fim de semana livre para o lazer e a família. Foi recentemente convidado a ajudar seu cunhado a aumentar um cômodo na casa e para isso irá trabalhar quatro sábados seguidos, das 7h00 às 12h00. Martín está feliz, pois receberá um dinheirinho extra por isso.

     Joana é manicure e trabalha de terça à sábado, fazendo cerca de 48 hs semanais. Ela fica muito cansada aos domingos a ponto de não conseguir "desligar". Seu marido perdeu o emprego e as contas começaram a se acumular. Joana arranjou duas faxinas em seu dia de descanso (segunda feira) e só tem o domingo para dar conta do serviço de casa. Joana se vê irritada com qualquer coisa, seu marido reclama de sua ausência e seus filhos estão na rua a maior parte do tempo. Seu marido finalmente arranjou emprego, mas ao que parece, Joana não está a fim de deixar as faxinas, afinal, um dinheirinho extra é sempre bem vindo (!)

     Estes são dois casos típicos de brasileiros que lutam para viver. Enquanto Martín está complementando sua renda, por tempo definido e sem abrir mão do dia de descanso, o domingo, Joana parece ter feito diferente: arrumou um "bico" que está acabando com seu casamento, sua família, sua saúde.

     O trabalho é uma ordem de Deus a humanidade: "do suor de teu rosto ganharás o teu pão". Isso é bênção, não maldição. Mas ciente de que o ser humano, após a queda (*) perdeu a noção de limites, Deus impôs: "seis dias trabalharás". Isso é suficiente. Isso é bênção! Em uma sociedade capitalista, o ser humano se desumaniza ao viver para trabalhar ao invés de trabalhar para viver. A quebra deste princípio divino tem sido a causa de males psicológicos como: estresse e depressão. Males psico sociais como: casamentos destruídos, filhos abandonados. Males morais como: ganância, avareza. "Seis dias trabalharás", disse o Senhor.

     Deus provê. Essa é a essência da fé. Nós jamais passaremos à Sua frente. Obedecê-lo é estar sob sua bênção. Afrontá-lo com nossos planos humanos, é chamar a maldição. "Seis dias trabalharás". 

     No último domingo ( 9/08), no encerramento do seminário "Raízes Judaicas da fé cristã", bradei do púlpito após a preleção do pastor Jaime Araújo: " - amaldiço-o o bico". Sei muito bem o que disse. Deus provê. Há muita gente afastada da comunhão da igreja por causa do "bico". Há muita gente com o casamento em frangalhos por causa do "bico". Há muita gente com os filhos no álcool e nas drogas por causa do "bico". Há muita gente sendo corroída pela avareza por causa do "bico". Deus provê. Só Deus provê.

     Para encerrar, deixemos o salmista falar. Da eternidade fala a Palavra de Deus, tão atual quanto o jornal de amanhã e feliz será quem lhe der ouvidos:  "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois ele supre aos seus amados enquanto dormem" (Salmo 127:1,2).
     
     "Seis dias trabalharás" , porque Deus provê.

(*) Expressão teológica referente à desobediência de Adão e Eva com suas consequencias. 

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